"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade

Vou...

Saindo do céu da boca

E indo para o céu das estrelas do mar


Colocando...

no ar a falta de ar


Tornando...

paciente a impaciência


Aprendendo...

a resposta sem perguntar


Amando...

Sem a necessidade de estar


Vivendo...

A liberdade no sonhar

Eternamente

É

Ter

Terna

Mente


Éter

Na

Mente


Eterna

Mente.

Presente

O que a vida me deu de presente,

Foi tudo aquilo que eu não tive:

Os beijos que não recebi,

Os amores que não vivi,

As viagens que não fiz,

Os filhos que não contive.

Tudo que a vida me deu,

Que mais prazer me causou,

Foi aquilo que não tive.

Ficou na fantasia no prazer do pensamento,

Apenas uma súbita alegria.

O que a vida na verdade me deu,

Foi o mais importante:

A vida como presente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Estou diplomada

Na experiência das noites inesquecíveis da adolescência.

Nos dias sofridos da maturidade.

Nas dores marcadas em horas perdidas.

Nos prazeres efêmeros das horas não sentidas.

Na vasta coleção de pensamentos.

Nos desejos não tocados.

Nada além do que sinto será mostrado,

Somente o diploma emparedado na alma,

Da vida em mim tatuada.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pele

Queria poder expressar em palavras

o que minha pele diz colada ao teu corpo.

O calor fica perfeito, meu coração batendo em teu peito.

Como mostrar em palavras que o suor é lindo.

Que o teu gosto é do meu gosto.

Que o que diz é tudo que quero ouvir.

Que tuas mãos é somente o que quero sentir.

Que o arrepio é sublime!

Como falar sobre esse desejo que minha pele com exatidão exprime?

Não, nem tento, as palavras não são suficientes.

A pele se expressa melhor.

Eu apenas falo.

Ela na verdade sente.

terça-feira, 16 de março de 2010

Os Noturnos

Perambulam pelas noites, a madrugada e sua preferida, sua atenção, seus sentidos todos voltados aos mínimos detalhes do chão, procuram nele tesouros, ás vezes tem a impressão que acham; param, pegam, analisam, percebendo que não é jogam e continuam mais aflitos e mais atentos. Qualquer volume que encontram pela frente pode ser o pote e a esperança de estar dentro dele o que tanto necessitam, abrem, vasculham, pegam muito raramente algo que lhes parece ter valor, saem, ficam com a impressão que não olharam direito, voltam vasculham novamente certifica-se que nada mais há de valor, deixam tudo espalhado e prosseguem na infinita busca da pedra preciosa. Suas idades são todas possíveis. Mulheres, homens, aguçados inquietos; fazem o mesmo caminho diversas vezes. Todas as noites: há de existir algo que deixaram passar despercebido. A noite vai alta. O cansaço não existe. São caçadores sem medo, nunca desistem da constante procura noturna por mais uma pedra que lhes parece preciosa, mas não percebem que é a morte disfarçada com o nome de droga.