"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Atrevida

É o toque na pele
Os poros dilatados
É o vai e vem da vida
Você ao meu lado
Dia e noite acordados
Nos arrepios dos poros
É fogo fervendo água
Nas minhas secretas maldades
Impudicamente ousadas
É o subir da descida
Se não for assim, não sinto vida
Há de ser atrevida
Se for para acabar contigo
Acabo.
Mas que seja com um gemido.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Às vezes...

Às vezes me quebro inteira
Às vezes só lamento
Durmo dor, acordo sentimento.

Às vezes sinto frio
Noutras me esquento
Durmo fora, acordo dentro.

Às vezes desfaleço
Às vezes ressuscito
Durmo morte, acordo vida.

Às vezes elas fracassam
Eles me são alívios
Durmo lágrimas, acordo sorrisos.

Às vezes muitas me cansam
Às vezes dou-me colo
Durmo tantas, eu acordo.

Às vezes cometo pecados
Noutras me reparo
Durmo corpo, acordo alma.

Às vezes morro nas linhas
E renasço nas entrelinhas
Durmo palavras, acordo poesia.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tecido

Em varal estirado, de arame farpado.
Rasgado aos poucos, retalhos.
Dividido em espaços.

Aos quatro cantos pousam os trapos
Tecido de algodão...
Embaraço,
Tentando juntar pedaços.
                                 
Pedaços de linho
Desfeitos, fiapos
Fragmentos pelo caminho

A vontade de pano,
Novamente ser.
Desfazer nós.
Novamente tecer.

Em máquina que pulsa, fiar.
Montar a trama, refazer a teia.
Prover fios para aquecer.
Tecido apenas ser.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Horas distraídas

Deitada no tempo
Na distração das horas paradas.
O presente oprimido
me pergunta...

E esse tempo de antes
que passa o tempo todo
no dia inteiro do hoje.
E esse que vem depois
que se une em cumplicidade
com o anterior.
E para não me deixar esquecer nunca?

sábado, 24 de setembro de 2011

Despir-se

Aprisiona a essência.
Em nome do efêmero do corpo
Do fulgás do mundo.

Veste-se com roupas que não lhe cabem,
Pés aprisionados, desconforto indesejado,
Escolhe uma mascara para mais esta farsa.

Ri como se houvesse graça,
Se esforça para sentir o porquê de estar ali
Vazio por dentro, mero passatempo.

E, dentro em silêncio.
Os gritos lhe falam ao ouvido
Está tudo errado
Sem sentido.

Nessa fração de segundo que sente do mundo.
Ouve o próprio coração e canto
Entende o porquê de tanto desencanto.

Caminha em direção ao ar
Precisa respirar.
Despe-se de tudo, joga máscara ao vento
Chama do âmago um sorriso
Livra-se de todo os artifícios.

Há ainda um incômodo febril.
Faz uma oração em silêncio
Aproxima-se do que há de céu dentro de si.

E percebe a alma esta vestida.
Desnuda-a. Desnuda-se.
Sente-se verdadeira
Sorri serena, enfim.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Estreitos

Havia um veio de rio
Entre aquelas colunas.
Havia uma fina veia
Entre as lacunas.

Havia noites eternas
Sem dias.
Dias que eram noites
Constantes.

Pensamentos vagos
De meras vogais e consoantes.

Havia um espaço
Menor que o desejado,
Fazendo com que sentisse
Pés e mãos calejados.

Apertar-se entre os apertos
Era preciso.
Nesse fluxo resumido
Sem noção e sem sentido.

E não havia outro jeito, senão,
esperar esses estreitos
Bombearem sangue no peito.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Única(s)

Apesar de
meu olhar introspectivo
com o mundo.
Sou tantas.

E nesse ser, de tantas,
Preciso me espalhar
De forma bela, torta,
certa, errada,
de mentira, de verdade
Não importa.

Apenas sentir-me; vale.
E são nelas
Nas palavras
Que me jogo

Ben vindas
Tantas vezes ditas.
Dito os mesmos
sentimentos meus.
E sempre tão diferentes.

Assim como os arrepios,
Que a cada vez me parecem
únicos.

Transparecer-me.
Para ser!
Sim.
Senão alguma de mim
Me mata.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Silêncio ruidoso

Não venha me dizer
Para dividir vida contigo,
Minha solidão me basta
Já me ocupa muito espaço.

Não te quero preso...
Dentro da minha liberdade
Dentro da minha idade
Do meu silêncio.

Desse meu silêncio
Que é mais ruidoso
Que minhas palavras.

Não o divido
Ocupo tempo demais...
Comigo.

domingo, 4 de setembro de 2011

Na Janela

Se penso que observo, me engano,
Vejo o tempo atento me olhando,
A vida me observando,
A luz e a escuridão cada uma em sua vez,
Vendo minhas marcas,
Uma observa outra oculta.
A poluição me vê cegando.
Me olham, somente mais uma.
Em lentidão oposta as suas velocidades.
E o tempo diz
Vai ficar ai quanto de mim, mais uma década?
E eu ignoro o tempo.
E a vida pergunta, sou assim para você?
Acho-te sem graça.
E não há movimento meu, nessa silhueta.
Eu não posso olhar os que me olham
Estou muito ocupada me observando por dentro,
Perdendo fora de mim vida e tempo.


                                 ***
Saudades de todos!!! 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal - Feliz Ano Novo

                              

Natal:


sentimento que,
enchendo o abismo do universo,
cabe com seu esplendor,
No olhar de uma criança,
no cálice de uma flor,
Esse Jesus imortal, único, bom e clemente,
de quem sou o mais humilde crente.


Mártir que fez com seu olhar sublime,
o luar do perdão para a noite do crime,
abriu com a luz da bem-aventurança,


Jesus...


Deus menino homem que está,
Como um farol da glória,
No cume da montanha escavada da história,
contemplando o infinito,
iluminando a terra.


Essa luz que a flor da alma humana encerra,
É de quem sofre,
é de quem geme,
é de quem chora,
É de todos que vão pela existência afora,
Tristes (santo, herói, escravo ou proscrito),
os pés calcando o lodo...
os olhos voltados para o infinito.


O Natal está nos olhos das crianças,
em suas mãozinhas delicadas,
que revelam sempre novas surpresas.
O Natal está em suas faces alegres e
em tudo o que dizem.


(Autor Desconhecido)




Desejo à todos vocês dividiram comigo essas linhas, minhas palavras um Natal cheio de luz e paz!!
E um Ano Novo repleto de saúde e realizações.


     Feliz Natal!!!        Feliz Ano Novo!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tempo de ser

Haverá alguém de ser, haverá alguém estar.
Para que outros sejam, para que outros fiquem.

Haverá alguém que crê, haverá alguém que viva.
Para eu outros creiam, para que outros vivam.

Haverá alguém no tempo, exato tempo de ser.
Sendo em todo tempo somente o Ser.

Há de deixar o tempo, às vezes ser somente.
Mas não há de esquecer do Ser.
Para não esquecer que és unicamente semente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Reticências...

Em minhas reticências
Lugares de reentrâncias
De infinitos pontos
Desses de se perder.

Entremeios que te prende
Ao tentar me achar
Abstrata como o ar.
Ar que precisas
Mas não pode tocar.

Essa porção minha
Que não vês,
A que mais sinto,
Que mais diz
De meu ser.

Estou justamente
Nas reticências
Que não lê.

domingo, 21 de novembro de 2010

Os sentidos e a verdade

De luz tão intensa
(A olhos nus não vista),
Vista-os de roupa fina
Para não ferir a retina.

De adjetivos únicos
Dito por única voz.
Emudeça, cale
Outra palavra não cabe.

De intrigante sabor
Ao paladar de poucos aceito,
Difícil sorver os goles
Do que arde no peito.

De arrepiar a pele
Pelo excesso de calor,
Retenha os movimentos
Dessa aparente dor.

De inebriante aroma
A opção é respirar
Mesmo querendo fugir
Do incômodo ar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Deixe tudo assim

Deixe tudo assim
Da forma que encontrou.
Só leve contigo
As marcas das unhas na pele,
O gosto na boca,
O suor nas têmporas,
Da vida que se foi.

Deixe tudo assim
Para trás,
Só leve as lembranças
De noites quentes
E agora ausentes.
Do calor na pele
Leve o frio
A angústia do cio.

Deixe tudo assim,
Nessa aparente calma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fases  é um daqueles poemas que leio e penso, queria ter escrito isso..rs.
De uma Poetisa que muito admiro Maristel Dias dos Santos - http://www.minhapoeta.net/
(Maris, demorou mas aí está..rs... Beijos meu)

Fases


Matéria cansada
Procura o fim
Vazia a taça
Emborca na face
Fase - solidão
Oca do instante
Sumindo no céu
... Sou lua minguante.

Instinto inclemente
Na última hora
O impulso final
Navegar é preciso
A face reviro
Na fase latente
Colhendo no céu
... Sou lua crescente.


Surge prematura
Seqüestra a luz
No renascimento
Sem pena, sem medo
Na fase do algoz
É fértil, desova
Parindo no céu
... Eu sou lua nova.


É canto de cisne
É última chance
Quer engravidar
De sonho e paixão
A face oferece
Na fase da teia
Pendura no céu
... Eu sou lua cheia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sou frase tua

Sou frase tua
 Nascida em teu ventre
  Dita em tua boca

 Aninhada em teu seio
  Sobre teu colo

 Abortada em silêncio
  Gritada em desespero

 Pulsando no peito
  Correndo nas veias

 Somente sentida
  Tampouco racionalizada

 Num desses tantos verbos
  Dita por tantos motivos

 Nesse egoísmo teu
  Nesse nosso egoísmo

 Nesse reflexo de espelho
  Onde você se perdeu

 De tanto ser frase tua
  Me escrevo...eu 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amantes

O dia vem se espreguiçando
Entrego-me a sua invasão,
Aos poucos vou me dando
Seduzida por sua razão.

Despeço-me do colo na noite
Noite quente sentida.
Revezo entre meus amantes
Pelo prazer, vencida.

Aos dois pertenço
Com intensa igualdade.
Não deixo que eles percebam
A minha infidelidade.

De um só não saberia ser
Pelos prazeres tão distintos
Perco-me em seus encantos
Completo-me em seus sentidos.

Vivo dessa maneira atrevida
Do dia sou agora,
Quando a noite chegar
Dormirei com a alma despida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Além dos muros

Rasguei paredes desses muros,
Refúgio de dores escuras.
Permiti à cor, entrada,
Que nesse lugar fizesse morada.

Queimei os sentimentos únicos
Em tórrida fogueira.
Joguei ao vento às cinzas.
Chamei a pluralidade dos mesmos.

A luz acendeu brilhos
Que achava não mais serem meus.
Modifiquei minhas cores.
Dei mais tempero aos sabores.
De bom grado um adeus.

De todas as vivências sempre serei.
Mas optei não ser mais delas.
Troquei as amarras do sou,
Passageiramente estarei nelas.

Sem muro, um novo instante
Novo vislumbre do que em mim preciso.
Na precisão desse jardim além do muro.
Um pedaço em mim, de paraíso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Louca

Ela estava especialmente linda
Naquela tarde.
Olhos vidrados,
Meio sorriso fixado,
Cabelos desacordados.

Coração acelerado,
Sôfrega respiração,
Efêmeros sentidos,
Sentimentos sádicos.

Com um ar sutilmente insano.
Baton vermelho à boca,
Salto quinze,
Lindamente louca.

Tensa, tesa
Querendo...
Febril surpresa
De suas presas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os lobos crescem

No jardim secreto
Havia uma criança encolhida
Querendo colo
Ser acolhida
Querendo crescer
Sem mais ser tolida...

Cansei do meu silencio
Grito o meu silencio
Cansei de viver suspenso
É hora de dizer o que penso

Quero todos os detalhes do espelho
Todas as linhas
Todas as curvas
Só agora nas curvas tortas
Vejo as linhas retas
Os caminhos mais certos

Cansei do meu mistério
De todos os meus segredos
De todos os medos

Cansei do veneno
Correndo em minhas veias
Cansei do mundo paralelo

Cansei da hipocrisia
(de todos e das minhas)
Cansei dos banhos mornos
Quero água fria

Cansei da morte
Em mim todos os dias
Na vida que me resta
Quero pulsar vida

Enfim...
Cansei da criança do jardim.