"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sábado, 14 de janeiro de 2012

Mentira

Mente tudo
Mente a mente
Mente a boca entre dentes
Mente o sentimento,
Mente o sorriso
Sem aviso
Mente o corpo
Mentiroso maior
Mente a dor
O orgasmo, ah como mente
Mente, fingindo de prazer
Mente o drama e trama
Mente. Fingindo dormente

Mas alma não mente
Sente, mas não mente
Pode não dizer
Apenas sente
Mas não mente
Não mente os arrepios da pele
Não mente a oração
Não mente os vãos
Não mente os poros da alma
Os olhos não mentem
E esses são dela
Alma não mente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O segredo da noite

O segredo da noite
Corria de forma silenciosa pelas veias
Num grito só, oco e ensurdecedor
Jogando contra a parede
Qualquer defesa
Toda lógica ou razão.

O segredo da noite
corria pela respiração
olhos e pulmão
num sorriso insano
de veneno profano.

O segredo da noite
Doía em volta do umbigo
Trancado entre paredes
Sem colo ou abrigo.

O segredo da noite
Acordou do pesadelo
Ficou na retina
Dorme no meu travesseiro.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Boas Festas!!!



Unamo-nos em mãos, em coração,
Em oração, em palavras.
Em nome do pai, para os que crêem.
Em nome do filho, pra os que amam.

Que mais essa passagem de Natal e Ano Novo
De nascimento e renascimento,
Renove-nos em esperanças de continuarmos
A divina comédia humana
Onde nada é eterno*

Que branco sejam, não somente nossas roupas
Mas nosso estado de espírito,
E de todas as cores seja nossa alegria, capacidade,
coragem, vontade e oportunidade de realizarmos tudo o que sonhamos nesse Novo Ano.

Que nossos cantos se unam e sorrisos surjam,
Abraços sejam dados.
E mais uma chama de alegria seja acessa
Na realidade, nos sonhos na vida
No nascer, ser, crescer, eternizar.

Que nossas palavras falem de nossos sentimentos
E possamos estar juntos em mais um ano que se inicia.


À todos que estão comigo desde que iniciei o blog e aos novos amigos que surgiram nesse ano e aos que virão...
Desejo muita paz, alegrias, fé, saúde, prosperidade!!


                      Feliz Natal
                                           Feliz Ano Novo




*Belchior

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se...

E se não fosse de minhas entranhas
Graça não teria
Se não tivesse doído ao peito
Não aprenderia.

Se não fossem os passos dados
Na areia não teriam ficados.
Se não fosse a distância não haveria lembranças.

Se não fosse noites de sorriso
Não teria conhecido paraísos.
Se não fosse ser inconstante
Não teria ido mais adiante.

Se em mim a dor não ficasse
Não me transformaria.
Não digo que novamente dessa água não beberia
Quando a sede em mim chegasse
E somente nesse lugar achasse.
Seca não morreria
Morreria sim de cheios, mas não de vazios.

Não há calma sem temor
Sem abalos, sem tremor

Se não fosse a chance de tantas vidas,
Não aprenderia onde achar a saída.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fetiche

A tentação do mistério
Desejo do proibido
Desperta em mim libido,
Quase sem sentido
Em todos os sentidos.

Sussurros no ouvido,
Sede de boca, de beijo.
Salivas profanas,
Profanando o corpo.

Não controlo
Fogo queimando segredos.

Segredos libertos.
Momentos de prazer,
Situações perigosas.
Não confesso.

Não me segure,
Sou água escorrendo
Entre os dedos
Sem controle.

Em certos momentos
Deixo o certo de lado
Meu nome é pecado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Chuva

Chovia como há muito não chovia, desde muitas noites e dias.
Terra seca, vincada, escassa de tudo de vida do mundo.
De viventes presentes, do amor que um dia se sente, de horas presentes.
Presentes em árvores de natais um dia tidos e tão sentidos.
Como foi sentido aquele dia, como fez sentido, nessa terra fria, terra carente de esperança há pior que isso? Ser carente de esperança, ah, não há!

Cabiam quilômetros desse dia que chovia.
A noite logo se via e a chuva caia, cheiro bom de terra molhada.
E essa terra tão carente, bebia cada gota que ali vinha, se nutria.
E as duas nessa quentura que agora sentiam, em uma única se faziam, eram gotas de alegria, gotas que de terra se coloriam, preenchendo com água, vincos de vírgulas, dando pontos finais no que há muito se estendia.

Demorou, mas dessa vez água a terra veio,
Assim como um atraso de lágrimas...
Chovia, como há muito tempo não se via.
                                        

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu, minha senhora

Ando agora. Apagando com cuidado o quadro negro da memória.
Relendo lembranças, jogando papeis fora.
Em partes de mim que me cabem
Vou dizer todos os nãos e sins mesmo que desagrade
Ando eu agora.
Ando com esse tempo, não o lá de fora
Mesmo nas madrugadas, atenta como o dia
Ouvindo da noite somente o que alivia.
Sem desamarrar o entardecer dos laços,
Sem deixar para traz os mais importantes abraços.
E mais fácil para os pulmões respirar somente o ar de hoje,
Sem me inflar com os porquês de outrora, ou os ansiosos de amanhãs.
Já que vida não tem prazo. Escolho.
No meio de tantos sonhos que se levantam todos os dias
Só quero os desse.
Quero o bom do saber que passei por mim
E que aos poucos fiquei. Eu, minha senhora.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A cor do medo

Poderia ser escuro, negro
Facilmente o veria,
Batalha difícil,
Mas de outras cores o faria.

Poderia ser vermelho
Da cor de sangue
Correndo pelas veias,
Com a adrenalina falaria.

Poderia ser azul
Ao céu o mandaria.
Ou verde
Que na água o misturaria.
Fácil se branco fosse
Em paz o transformaria.

Poderia ser de todas as cores...

Mas é transparente.
É dessa cor vazia
Que apenas se sente.
Qual a cor da coragem mesmo?
E a fé em qual cor está presente?

domingo, 20 de novembro de 2011

Fique em mim

Fique em mim assim
Só por uns instantes,
Somente o tempo de eu chegar...
Desfazer-me do véu
Dar o beijo de aceito.

Fique em mim assim
Deixe o suor sentir,
Deixa a vida se abrir
Deixe o teto mostrar o céu.

Fique em mim assim
Nessa infinitude de instantes
Para que eu possa ver
Só um pouco mais adiante.

Fique em mim assim
Que o mundo se cale
Que só sinos falem
E ouçam meu sim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu eu em mim

Em mim sonho.
Em mim oponho.

Às vezes parto inteira.
Ultrapasso horizontes
Pássaro livre
Atravessando pontes.
Anjo com asa.

Às vezes parto metade.
De frente à realidade
Pé no chão
Horizonte limitado.
Anjo sem asa.

No conflito do eu, comigo
Em incertos momentos
Torno-me meu inimigo.
Às vezes apiedo-me
E dou-me abrigo.

Entre o que sonho
E o que me oponho.
Às vezes sonho contido
Às vezes sonho comigo.