"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

domingo, 21 de novembro de 2010

Os sentidos e a verdade

De luz tão intensa
(A olhos nus não vista),
Vista-os de roupa fina
Para não ferir a retina.

De adjetivos únicos
Dito por única voz.
Emudeça, cale
Outra palavra não cabe.

De intrigante sabor
Ao paladar de poucos aceito,
Difícil sorver os goles
Do que arde no peito.

De arrepiar a pele
Pelo excesso de calor,
Retenha os movimentos
Dessa aparente dor.

De inebriante aroma
A opção é respirar
Mesmo querendo fugir
Do incômodo ar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Deixe tudo assim

Deixe tudo assim
Da forma que encontrou.
Só leve contigo
As marcas das unhas na pele,
O gosto na boca,
O suor nas têmporas,
Da vida que se foi.

Deixe tudo assim
Para trás,
Só leve as lembranças
De noites quentes
E agora ausentes.
Do calor na pele
Leve o frio
A angústia do cio.

Deixe tudo assim,
Nessa aparente calma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fases  é um daqueles poemas que leio e penso, queria ter escrito isso..rs.
De uma Poetisa que muito admiro Maristel Dias dos Santos - http://www.minhapoeta.net/
(Maris, demorou mas aí está..rs... Beijos meu)

Fases


Matéria cansada
Procura o fim
Vazia a taça
Emborca na face
Fase - solidão
Oca do instante
Sumindo no céu
... Sou lua minguante.

Instinto inclemente
Na última hora
O impulso final
Navegar é preciso
A face reviro
Na fase latente
Colhendo no céu
... Sou lua crescente.


Surge prematura
Seqüestra a luz
No renascimento
Sem pena, sem medo
Na fase do algoz
É fértil, desova
Parindo no céu
... Eu sou lua nova.


É canto de cisne
É última chance
Quer engravidar
De sonho e paixão
A face oferece
Na fase da teia
Pendura no céu
... Eu sou lua cheia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sou frase tua

Sou frase tua
 Nascida em teu ventre
  Dita em tua boca

 Aninhada em teu seio
  Sobre teu colo

 Abortada em silêncio
  Gritada em desespero

 Pulsando no peito
  Correndo nas veias

 Somente sentida
  Tampouco racionalizada

 Num desses tantos verbos
  Dita por tantos motivos

 Nesse egoísmo teu
  Nesse nosso egoísmo

 Nesse reflexo de espelho
  Onde você se perdeu

 De tanto ser frase tua
  Me escrevo...eu 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amantes

O dia vem se espreguiçando
Entrego-me a sua invasão,
Aos poucos vou me dando
Seduzida por sua razão.

Despeço-me do colo na noite
Noite quente sentida.
Revezo entre meus amantes
Pelo prazer, vencida.

Aos dois pertenço
Com intensa igualdade.
Não deixo que eles percebam
A minha infidelidade.

De um só não saberia ser
Pelos prazeres tão distintos
Perco-me em seus encantos
Completo-me em seus sentidos.

Vivo dessa maneira atrevida
Do dia sou agora,
Quando a noite chegar
Dormirei com a alma despida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Além dos muros

Rasguei paredes desses muros,
Refúgio de dores escuras.
Permiti à cor, entrada,
Que nesse lugar fizesse morada.

Queimei os sentimentos únicos
Em tórrida fogueira.
Joguei ao vento às cinzas.
Chamei a pluralidade dos mesmos.

A luz acendeu brilhos
Que achava não mais serem meus.
Modifiquei minhas cores.
Dei mais tempero aos sabores.
De bom grado um adeus.

De todas as vivências sempre serei.
Mas optei não ser mais delas.
Troquei as amarras do sou,
Passageiramente estarei nelas.

Sem muro, um novo instante
Novo vislumbre do que em mim preciso.
Na precisão desse jardim além do muro.
Um pedaço em mim, de paraíso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Louca

Ela estava especialmente linda
Naquela tarde.
Olhos vidrados,
Meio sorriso fixado,
Cabelos desacordados.

Coração acelerado,
Sôfrega respiração,
Efêmeros sentidos,
Sentimentos sádicos.

Com um ar sutilmente insano.
Baton vermelho à boca,
Salto quinze,
Lindamente louca.

Tensa, tesa
Querendo...
Febril surpresa
De suas presas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os lobos crescem

No jardim secreto
Havia uma criança encolhida
Querendo colo
Ser acolhida
Querendo crescer
Sem mais ser tolida...

Cansei do meu silencio
Grito o meu silencio
Cansei de viver suspenso
É hora de dizer o que penso

Quero todos os detalhes do espelho
Todas as linhas
Todas as curvas
Só agora nas curvas tortas
Vejo as linhas retas
Os caminhos mais certos

Cansei do meu mistério
De todos os meus segredos
De todos os medos

Cansei do veneno
Correndo em minhas veias
Cansei do mundo paralelo

Cansei da hipocrisia
(de todos e das minhas)
Cansei dos banhos mornos
Quero água fria

Cansei da morte
Em mim todos os dias
Na vida que me resta
Quero pulsar vida

Enfim...
Cansei da criança do jardim.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pintura de lágrimas

As lágrima tem cores,
Toda sorte de cores.
Todas as cores das contas,
Das contas do tempo.
Colorindo o peito
Ora quente, ora frio.
Nas cores da alegria
As cores das mágoas.
São assim essas lagrimas,

Elas determinam o quadro
Que por hora é pintado
Na face, na cara.

São cores fáceis.
Não há lágrima rara,
Não há lágrima que
Já não tenha sido usada.

As obras, essas sim podem ser raras,
Sendo a cor às vezes tão forte
Que vinca, marca, cicatriza,
Fazendo dela pintura cara.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A palavra

Eu sei que há uma palavra que esta em mim
E dela nascerão mil outras palavras.
Eu sei que ela habita em mim, pois, eu habito nela.

Ela está logo ali na janela...pra cá...além dela.

Enquanto isso vou rabiscando algumas delas,
Ela será de todos quando mil outras forem
Até lá habitaremos em nós, a sós.

É só o tempo do sentimento.
Da volta...na volta.