"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sábado, 5 de novembro de 2011

Ontens

E pego um tanto de ontens
E me debruço com eles à janela
Alguns, estendo ao lado
Molhados de lágrimas,
Deixo-os secarem,
Se evaporam.

Outros tantos comigo conversam,
Absorta sigo seus rastros
Tiram de mim risadas
Um dia já sentidas.

Outros me fazem mais uma vez doer.
Esses me erguem,
Está neles tudo o que me serve.

E há os que não gosto
São nos ontens "de não devia"
Esses, ignoro
Já que passo atrás é impossível.

E depois de quentes pelo sol, alguns tantos
Ainda pego, ponho-os aqui dentro,
E quando os convido para olharem à frente...

Muitos são somente ontens,
Outros em hoje se tornam,
Alguns ficarão em mim amanhã.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Louca

Ela estava especialmente linda
Naquela tarde.
Olhos vidrados,
Meio sorriso fixado,
Cabelos desacordados.

Coração acelerado
Sôfrega respiração
Efêmeros sentidos,
Sentimentos sádicos.

Com um ar sutilmente insano.
Baton vermelho à boca,
Salto quinze,
Lindamente louca.

Tensa, tesa
Querendo...
Febril surpresa
De suas presas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Silêncio

E por vezes
Sinto algo tão somente feito de silêncio,
Como se eterno o silêncio fosse.

Como se não ouvir
Nada do mundo,
Fosse melhor que
Ouvir alguma coisa.

E esse momento de quietude
Trás um instante de mim.
Que deveria um dia ter sido.

E pego esses instantes
E componho meus sentidos
E completo meus sonhos
Que agora se tornam.

E antes que o som volte
Sinto-me.

Torno-me ser aos poucos
Noutras doses de calmarias
Outros silêncios
Em outros dias.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sensatez

Te provo aos poucos
Poucos poros por vez
Afasto-te
Assim não te gasto
Assim não te gosto
E nem desgosto
Te volto
Na saudade
Em mais pedaços
Me satisfaço
Mais nunca ao todo
Nunca de uma vez
Deixo para a volta
Para não cansar
Do desejo meu
Que teu já se fez.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Preciso do que há em mim...

Mudo meus caminhos
Me desfaço do teu sorriso
Ele não me faz sentir possível.

Aquieto-me em silêncio,
Escrevo nas paredes
O que penso.

Piso em chão não mais incerto.
Gosto do gosto do sentir, do verbo
Meu lugar me cabe,
Não são mais ocos os ecos.

Há no espelho imagem
Vejo de céus mensagem
nasci em mim, parto demorado,
tempo necessário.

Nos passos que sempre andei
Foram somente os meus números
que procurei.

Encontro-me,
E me digo...
Eu preciso do que hoje há em mim
Como nunca precisei antes.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Do sentir e da palavra

Transbordo
Sentir,
Pensar,
E por vezes penso
Que falta palavra
Para expressar.

Mas não,
Palavra é farta
Falta guiar sentimento
Por linha certa.

Mas se for somente reta
A palavra perde a sutileza.
Há de ter nos caminhos
Desvios,
Destinos,
Pra dar sentido
E beleza.

E, volto ao ponto de partida
Do sentir e da palavra
Se não há rumo
Não vejo prumo.  
Se, aprumo          
A desconcerto.       

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um amanhã de distância

Preciso ser algo que ainda não sei
Que ainda não sou.
Preciso ir a lugares onde nunca estou
há ali falta, ausência de minha presença,
Preencho-os me preenchendo.

Há passos que já estão marcados
As pegadas estão lá fixadas
São meus números
Preciso pisá-las, vestir-me.

É o amanha está logo ali, tanto que o avisto aqui,
E eu me apresentando somente ontens.

O fio das horas me lembra que logo será manhã
(perto demais para eu conseguir me alcançar)
Preciso de mais tempo
De alguns esquecimentos.

Desfazer-me de ontem.
Desfazer-me de mim.
Preciso de um amanhã com distância de mais dias.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sono (de criança)

Minha palavra está com sono
Distraída com as letras 
Com pontos.... vírgulas,,, e acentos^~´`

Parece ingênua criança que brinca ao jardim,
Pula amarelinha....

                           Pula para outra linha.

Minha palavra está com olhos doces
Em doces sorrisos ☺☺
De boca lambuzada.

Está com corpo de cama
Se espreguiça 
Distraídaaaaaaa, ops.

Desta vez salta...

                            duas linhas

E assim um tanto dormente,
Pelo sono inocente,
Vai brincando com o que sente♥

                                     
À todas as crianças que permanecem dentro dos que me visitam, um feliz dia!


domingo, 9 de outubro de 2011

Talvez desta vez, fale de amor

Não procures o que não tenho
Sentimentos meus são asas que voaram
Para o outro lado há muito tempo,
Não mais me pertencem.

Não me cobres como se eu não soubesse amar.
Amo tanto que o meu amor ultrapassou a linha da vida
E lá esta, a cera das asas ainda não derreteram
Não posso alcançar, não é mais meu.

Não me olhes esperando que olhe teu coração
O meu nem mais está em meu peito.
E não me culpe
Se toda vez que me olhas
Estou sempre olhando para mim,
Nesse meu eu sem fim.

Se não olho teu olhar,
Não é porque não há tempo
É porque não caminham na mesma vida.
É pela distância de cada momento.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Atrevida

É o toque na pele
Os poros dilatados
É o vai e vem da vida
Você ao meu lado
Dia e noite acordados
Nos arrepios dos poros
É fogo fervendo água
Nas minhas secretas maldades
Impudicamente ousadas
É o subir da descida
Se não for assim, não sinto vida
Há de ser atrevida
Se for para acabar contigo
Acabo.
Mas que seja com um gemido.