"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se...

E se não fosse de minhas entranhas
Graça não teria
Se não tivesse doído ao peito
Não aprenderia.

Se não fossem os passos dados
Na areia não teriam ficados.
Se não fosse a distância não haveria lembranças.

Se não fosse noites de sorriso
Não teria conhecido paraísos.
Se não fosse ser inconstante
Não teria ido mais adiante.

Se em mim a dor não ficasse
Não me transformaria.
Não digo que novamente dessa água não beberia
Quando a sede em mim chegasse
E somente nesse lugar achasse.
Seca não morreria
Morreria sim de cheios, mas não de vazios.

Não há calma sem temor
Sem abalos, sem tremor

Se não fosse a chance de tantas vidas,
Não aprenderia onde achar a saída.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fetiche

A tentação do mistério
Desejo do proibido
Desperta em mim libido,
Quase sem sentido
Em todos os sentidos.

Sussurros no ouvido,
Sede de boca, de beijo.
Salivas profanas,
Profanando o corpo.

Não controlo
Fogo queimando segredos.

Segredos libertos.
Momentos de prazer,
Situações perigosas.
Não confesso.

Não me segure,
Sou água escorrendo
Entre os dedos
Sem controle.

Em certos momentos
Deixo o certo de lado
Meu nome é pecado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Chuva

Chovia como há muito não chovia, desde muitas noites e dias.
Terra seca, vincada, escassa de tudo de vida do mundo.
De viventes presentes, do amor que um dia se sente, de horas presentes.
Presentes em árvores de natais um dia tidos e tão sentidos.
Como foi sentido aquele dia, como fez sentido, nessa terra fria, terra carente de esperança há pior que isso? Ser carente de esperança, ah, não há!

Cabiam quilômetros desse dia que chovia.
A noite logo se via e a chuva caia, cheiro bom de terra molhada.
E essa terra tão carente, bebia cada gota que ali vinha, se nutria.
E as duas nessa quentura que agora sentiam, em uma única se faziam, eram gotas de alegria, gotas que de terra se coloriam, preenchendo com água, vincos de vírgulas, dando pontos finais no que há muito se estendia.

Demorou, mas dessa vez água a terra veio,
Assim como um atraso de lágrimas...
Chovia, como há muito tempo não se via.
                                        

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu, minha senhora

Ando agora. Apagando com cuidado o quadro negro da memória.
Relendo lembranças, jogando papeis fora.
Em partes de mim que me cabem
Vou dizer todos os nãos e sins mesmo que desagrade
Ando eu agora.
Ando com esse tempo, não o lá de fora
Mesmo nas madrugadas, atenta como o dia
Ouvindo da noite somente o que alivia.
Sem desamarrar o entardecer dos laços,
Sem deixar para traz os mais importantes abraços.
E mais fácil para os pulmões respirar somente o ar de hoje,
Sem me inflar com os porquês de outrora, ou os ansiosos de amanhãs.
Já que vida não tem prazo. Escolho.
No meio de tantos sonhos que se levantam todos os dias
Só quero os desse.
Quero o bom do saber que passei por mim
E que aos poucos fiquei. Eu, minha senhora.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A cor do medo

Poderia ser escuro, negro
Facilmente o veria,
Batalha difícil,
Mas de outras cores o faria.

Poderia ser vermelho
Da cor de sangue
Correndo pelas veias,
Com a adrenalina falaria.

Poderia ser azul
Ao céu o mandaria.
Ou verde
Que na água o misturaria.
Fácil se branco fosse
Em paz o transformaria.

Poderia ser de todas as cores...

Mas é transparente.
É dessa cor vazia
Que apenas se sente.
Qual a cor da coragem mesmo?
E a fé em qual cor está presente?

domingo, 20 de novembro de 2011

Fique em mim

Fique em mim assim
Só por uns instantes,
Somente o tempo de eu chegar...
Desfazer-me do véu
Dar o beijo de aceito.

Fique em mim assim
Deixe o suor sentir,
Deixa a vida se abrir
Deixe o teto mostrar o céu.

Fique em mim assim
Nessa infinitude de instantes
Para que eu possa ver
Só um pouco mais adiante.

Fique em mim assim
Que o mundo se cale
Que só sinos falem
E ouçam meu sim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu eu em mim

Em mim sonho.
Em mim oponho.

Às vezes parto inteira.
Ultrapasso horizontes
Pássaro livre
Atravessando pontes.
Anjo com asa.

Às vezes parto metade.
De frente à realidade
Pé no chão
Horizonte limitado.
Anjo sem asa.

No conflito do eu, comigo
Em incertos momentos
Torno-me meu inimigo.
Às vezes apiedo-me
E dou-me abrigo.

Entre o que sonho
E o que me oponho.
Às vezes sonho contido
Às vezes sonho comigo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dança

Desfaz-se em giros
Rodopiado pelas ruas
Desnudas voltas
Em desatar de nós

E brilha dentro de si sóis
Claridades quentes
Aconchegos
De fases de luas

Em travessuras
De risos leves
O choro de alegria
Que nos poros arrepiam

De inquietantes saias
A rodar palavras suas
A girar poesias nuas

No corpo descompassado
Desequilíbrio de linha
Em compensada calmaria

Um sorriso puro de alegria
É grata a alma
Que sorri e rodopia.

sábado, 5 de novembro de 2011

Ontens

E pego um tanto de ontens
E me debruço com eles à janela
Alguns, estendo ao lado
Molhados de lágrimas,
Deixo-os secarem,
Se evaporam.

Outros tantos comigo conversam,
Absorta sigo seus rastros
Tiram de mim risadas
Um dia já sentidas.

Outros me fazem mais uma vez doer.
Esses me erguem,
Está neles tudo o que me serve.

E há os que não gosto
São nos ontens "de não devia"
Esses, ignoro
Já que passo atrás é impossível.

E depois de quentes pelo sol, alguns tantos
Ainda pego, ponho-os aqui dentro,
E quando os convido para olharem à frente...

Muitos são somente ontens,
Outros em hoje se tornam,
Alguns ficarão em mim amanhã.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Louca

Ela estava especialmente linda
Naquela tarde.
Olhos vidrados,
Meio sorriso fixado,
Cabelos desacordados.

Coração acelerado
Sôfrega respiração
Efêmeros sentidos,
Sentimentos sádicos.

Com um ar sutilmente insano.
Baton vermelho à boca,
Salto quinze,
Lindamente louca.

Tensa, tesa
Querendo...
Febril surpresa
De suas presas.