"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Do encontro

Nesse mundo vasto....
Em raras vezes me acho
Na maioria me deixo.

Enquanto me procuro
Me perco de mim,
O tempo todo,
Em todos os tempos.

Não me encontro.
Penso, vasculho,
Rezo, prometo não me perder
Se acaso me achar, prometo.

Reviro gavetas, papeis,
Rabiscos de caneta
Me reviro ao avesso, nada!

Ando em todas as estradas
Olho em todas as direções, nada
Nenhum sinal de mim.

Canso e penso...
Acho que não me encontro, pela vastidão do meu mundo e terreno demais para percorrer, em apenas uma vida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Linha atemporal

Sustenta essa linha no espaço.
Em meu peito aberto.
No espaço do tempo
Em teu abraço.

Sustenta essa linha no tempo.
No antes e pós ligados,
De diferentes horas
Em diferentes lados.

Sustenta essa linha no afeto.
Além do sentimento carnal,
Na calmaria da ilimitada calma,
Querer incondicional.

Sustenta essa linha na vida.
Em corpo de ser pulsante
Para voltar a ser
Um único ser mais adiante.

Sustenta essa linha na morte
Nesse sentir espiritual
Em nossa alma, nossa palma
Essa linha atemporal.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Simbiose

Tu vinhas e me provias
Em provas tuas
Fazia-me, minha.

Tu tinhas e me continhas
E contenho em ti tudo
O que é ser,
Encorajava-me a ser minha.

Tu fazias de mim
O ser meu
Por sentir o gosto
Do que é teu.

Tu sorrias e sóis se abriam
A sós não eram nunca noites e dias
E por mais uma vez
Fazia em mim
O lençol que de ti me cobrias

Provaste, deste, fizeste
De tantas e todas as formas,
Sentir a essência tua,
Que nasceu, de nós, a minha.

E mesmo sem ti
Jamais serei sozinha.
Dividistes o mesmo passo
Em mim, caminhas. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Só por hoje

Hoje acordei assim...
Espaço!
Onde cabe tudo, inclusive abraços.
Acordei sol brilhando,
Sorriso conversando.

Sem me perder em pedaços a cada esquina
Como roupa de um número acima,
Porque emagreço com a amargura.
Mas deixe-a de lado.
Hoje acordei cantos cantados,
Presente e não passado.

Isso! Acordei no hoje
Não sou ontem
Não vejo amanha
Hoje sou somente hoje.

Sou essa conversa, essa travessa
Travessia, essa linha.
De apenas mais um dia,
Leve, brilhante
Aconchegante.

Hoje eu sou esse dia 
De desembaraçar de laços.
Só por hoje
Me complete com seu abraço.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Mentira

Mente tudo
Mente a mente
Mente a boca entre dentes
Mente o sentimento,
Mente o sorriso
Sem aviso
Mente o corpo
Mentiroso maior
Mente a dor
O orgasmo, ah como mente
Mente, fingindo de prazer
Mente o drama e trama
Mente. Fingindo dormente

Mas alma não mente
Sente, mas não mente
Pode não dizer
Apenas sente
Mas não mente
Não mente os arrepios da pele
Não mente a oração
Não mente os vãos
Não mente os poros da alma
Os olhos não mentem
E esses são dela
Alma não mente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O segredo da noite

O segredo da noite
Corria de forma silenciosa pelas veias
Num grito só, oco e ensurdecedor
Jogando contra a parede
Qualquer defesa
Toda lógica ou razão.

O segredo da noite
corria pela respiração
olhos e pulmão
num sorriso insano
de veneno profano.

O segredo da noite
Doía em volta do umbigo
Trancado entre paredes
Sem colo ou abrigo.

O segredo da noite
Acordou do pesadelo
Ficou na retina
Dorme no meu travesseiro.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Boas Festas!!!



Unamo-nos em mãos, em coração,
Em oração, em palavras.
Em nome do pai, para os que crêem.
Em nome do filho, pra os que amam.

Que mais essa passagem de Natal e Ano Novo
De nascimento e renascimento,
Renove-nos em esperanças de continuarmos
A divina comédia humana
Onde nada é eterno*

Que branco sejam, não somente nossas roupas
Mas nosso estado de espírito,
E de todas as cores seja nossa alegria, capacidade,
coragem, vontade e oportunidade de realizarmos tudo o que sonhamos nesse Novo Ano.

Que nossos cantos se unam e sorrisos surjam,
Abraços sejam dados.
E mais uma chama de alegria seja acessa
Na realidade, nos sonhos na vida
No nascer, ser, crescer, eternizar.

Que nossas palavras falem de nossos sentimentos
E possamos estar juntos em mais um ano que se inicia.


À todos que estão comigo desde que iniciei o blog e aos novos amigos que surgiram nesse ano e aos que virão...
Desejo muita paz, alegrias, fé, saúde, prosperidade!!


                      Feliz Natal
                                           Feliz Ano Novo




*Belchior

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se...

E se não fosse de minhas entranhas
Graça não teria
Se não tivesse doído ao peito
Não aprenderia.

Se não fossem os passos dados
Na areia não teriam ficados.
Se não fosse a distância não haveria lembranças.

Se não fosse noites de sorriso
Não teria conhecido paraísos.
Se não fosse ser inconstante
Não teria ido mais adiante.

Se em mim a dor não ficasse
Não me transformaria.
Não digo que novamente dessa água não beberia
Quando a sede em mim chegasse
E somente nesse lugar achasse.
Seca não morreria
Morreria sim de cheios, mas não de vazios.

Não há calma sem temor
Sem abalos, sem tremor

Se não fosse a chance de tantas vidas,
Não aprenderia onde achar a saída.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fetiche

A tentação do mistério
Desejo do proibido
Desperta em mim libido,
Quase sem sentido
Em todos os sentidos.

Sussurros no ouvido,
Sede de boca, de beijo.
Salivas profanas,
Profanando o corpo.

Não controlo
Fogo queimando segredos.

Segredos libertos.
Momentos de prazer,
Situações perigosas.
Não confesso.

Não me segure,
Sou água escorrendo
Entre os dedos
Sem controle.

Em certos momentos
Deixo o certo de lado
Meu nome é pecado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Chuva

Chovia como há muito não chovia, desde muitas noites e dias.
Terra seca, vincada, escassa de tudo de vida do mundo.
De viventes presentes, do amor que um dia se sente, de horas presentes.
Presentes em árvores de natais um dia tidos e tão sentidos.
Como foi sentido aquele dia, como fez sentido, nessa terra fria, terra carente de esperança há pior que isso? Ser carente de esperança, ah, não há!

Cabiam quilômetros desse dia que chovia.
A noite logo se via e a chuva caia, cheiro bom de terra molhada.
E essa terra tão carente, bebia cada gota que ali vinha, se nutria.
E as duas nessa quentura que agora sentiam, em uma única se faziam, eram gotas de alegria, gotas que de terra se coloriam, preenchendo com água, vincos de vírgulas, dando pontos finais no que há muito se estendia.

Demorou, mas dessa vez água a terra veio,
Assim como um atraso de lágrimas...
Chovia, como há muito tempo não se via.