"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

domingo, 13 de junho de 2010

Sementes


São sementes certas
Semeadas em terreno fértil
Quando nascem são diversas

Nascem amores...
Brilhando a sol
Com luares prateados

Nascem dores...
Fortes clamores,
Escuras cores.

Nascem alegrias...
Sorrisos fartos,
Abraços largos.

Nascem angústias...
Sem rumo, sem paradeiro.
Assustam.

Sinta seus sabores.
São colheitas precisas.
Frutos de dores internas.

No tempo certo.
Tenha calma.
A vida se fez semente,
No solo fértil da alma.        

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Oportunidade


Num momento de lucidez,
De estranha sanidade.
Acostumado com o insano,
Que já lhe parecia irmandade.

Opções lhe são dadas,
De que há jeito. A descoberta...
Momento de desfazer o mal feito.
De dar vazão à dor no peito.

Por perceber o amanhecer.
Olhar-se no espelho.
E dessa vez o reconhecer.

Nova sorte lhe foi dada.
Agarre-a com vontade.
Vá a passadas largas,
Caminhe rumo á estrada.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sonhos Perdidos



Que bom seria que os sonhos perdidos fossem aqueles das noites não dormidas, aqueles que ao invés de sonhos, são pesadelos ou até mesmo aqueles que vendem em padarias e quando queremos não tem mais.
Não! Os sonhos perdidos que me incomodam são aqueles que fazem parte de estatísticas, de cálculos, contas e gráficos que, de nada adiantam, porque não voltam mais.
São os sonhos de famílias destruídas por acidentes de trânsito, quebrando uma aliança, quebrando um pai, uma mãe, um filho. Deixando aqui alguém com os planos e sonhos perdidos.
         Aqueles das crianças que vivem em orfanatos, que perdem a infância sonhando com o que deveria ser óbvio o direito de terem pais. Das crianças abusadas, maltratadas por maníacos, psicopatas, desalmados (leia-se monstros, mas não aqueles de historinhas infantis).
Os sonhos perdidos de famílias inteiras destruídas pelo uso de drogas de alguém da família, sendo ele o menos sonhador. É o que mais sofre, porque até descobrir que tem uma doença e não somente uma “viagem” demora anos e dá-lhe destruição de sonhos pessoais e de todos ao seu redor.
Os diversos sonhos de amores perdidos; Shakespeare teria muito que escrever. Um Romeu e Julieta à cada esquina.
E o seu sonho perdido qual seria? Eu tenho alguns, mas não voltam mais, perderam-se nas estatísticas.
Mas pior ainda que ter os sonhos perdidos, porque se perdemos uns, outros nascem (temos essa capacidade de nos reconstruir). O pior é isolar-se da realidade, do mundo, viver à parte como um fantasma de si mesmo e perder a beleza do sonhar. O pior é não sonhar! Não sonhar é perder a vida.

                                                           


                                                                         (talvez.... uma crônica)

sábado, 5 de junho de 2010

Fetiche


A tentação do mistério.
Desejo do proibido.
Desperta em mim libido,
Quase sem sentido.
Em todos os sentidos.

Sussurros no ouvido,
Sede de boca, de beijo.
Salivas profanas,
Profanando o corpo.

Não controlo, entrego-me.
Chama de fogo queimando.
Segredos.

Segredos libertos.
Momentos de prazer,
Situações perigosas.
Não confesso.

Não me segure,
Sou água escorrendo,
Entre os dedos,
Sem controle.

Em certos momentos
Deixo o certo de lado
Meu nome é pecado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Magia


Na trama das tranças a menina dança
Na trama das teias enrosca-se alheia

A entrega a desnorteia.
À luz da lua cheia
O desejo desencadeia.

Sentindo o corpo reluzente.
Nesse rodopio envolvente.

Sob a pele quente dança,
o sangue em suas veias.

Dançando ao fogo é pagã.
Agradecendo aos céus é cristã.

Envolvida num abraço
Que o mundo lhe consente.

Faz dessa dança mágica
Um momento diferente.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Renascimento




No silêncio noturno, ouvindo os barulhos do mundo.
Sua voz devolvida em ecos, na conversa com as paredes.
Uma delas lhes diz que esta na hora de sair.

Seguir o único caminho que só se pode seguir sozinho.
Deixar para traz a estrada imaginária do mundo
Sentir a realidade, ser mais intenso, mais profundo.

Sentir a vida de verdade, ter novos desafios.
Basta criar coragem pra atravessar o rio.
Transpassar a janela dos pensamentos.
Deixar o vento levar os ressentimentos.

Silenciar os barulhos internos,
das conversas e pensamentos.
Sair das frias paredes do isolamento.
Entregar-se à vida nesse momento.

Sente dentro de si, renascimento.
E ao abrir a janela da realidade
Não é que vê luzes no firmamento!



domingo, 30 de maio de 2010

Acabou


Dava para ver os cacos
Voarem para todos os cantos,
Deixando feridas marcadas.

Dava para ouvir o barulho
Da mágoa escorrendo,
Entre os cacos pela escada.

Dava para sentir o gosto
Amargo das palavras decretadas,
Envenenando os sentidos.

Dava para tocar o tempo,
Dizendo que havia acabado,
Que o que foi quebrado,
Já não podia ser juntado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Vem...


Vem...
Tire os meus medos
Desvende os meus segredos
Chegue clandestino
Se aposse do meu destino

Instala-se em meu peito
Deixe-me ser ar
Deixe-me à vontade
Com vontade de me entregar

Faça-me tua
Não deixe só o corpo
Mas a alma nua
Deixe-me em torpor

Faça-me enxergar no escuro
Transpirar, suar, cansar
Tire-me do mundo
Por alguns segundos

Deixe-me encantada
Sentindo tua ausência
Só não me prenda
Não tire minha essência.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Uma peça em dois atos


Na trama hábil e desmedida
No traçado perfeito das teias.
A peça da vida, às vezes
É somente assistida.

Narrada aos avessos
Expõe sua dor nua.
Afronta seus desejos
Não sabe se é tua.

Mais um ato de desprezo.
Como marionete se sente.
Todos no lugar assistem,
Mais um lamento triste.

Mas existe um momento de escolha...

Na revolta contra as teias
Como vísceras são arrancadas.
Não se entrega mais ao jogo
Basta de vida manipulada. 

Descobre uma verdade,
Sua vontade é o seu poder
Descobre o segredo...
Vencer o medo!

Dá o primeiro passo.
Chega de tanto nada.
Pega o que é por direito teu.
Liberta-se de fato.

Ao longe se ouve, aplausos pelo seu ato.

sábado, 22 de maio de 2010

Inexistência


Num olhar que pouco via,
No susto de perceber, a vida
num quadro dependurada.

Acordou com um resto de noite
Que pairava ainda no quarto
Brigando com o dia.

Pela janela vazia,
Viu que o horizonte oprimia.
Ensaiou levantar, desistiu.

Para andar, nenhum passo havia.
Era só uma sombra...
Que mal sabia que existia.