Que bom seria que os sonhos perdidos fossem aqueles das noites não dormidas, aqueles que ao invés de sonhos, são pesadelos ou até mesmo aqueles que vendem em padarias e quando queremos não tem mais.
Não! Os sonhos perdidos que me incomodam são aqueles que fazem parte de estatísticas, de cálculos, contas e gráficos que, de nada adiantam, porque não voltam mais.
São os sonhos de famílias destruídas por acidentes de trânsito, quebrando uma aliança, quebrando um pai, uma mãe, um filho. Deixando aqui alguém com os planos e sonhos perdidos.
Aqueles das crianças que vivem em orfanatos, que perdem a infância sonhando com o que deveria ser óbvio o direito de terem pais. Das crianças abusadas, maltratadas por maníacos, psicopatas, desalmados (leia-se monstros, mas não aqueles de historinhas infantis).
Os sonhos perdidos de famílias inteiras destruídas pelo uso de drogas de alguém da família, sendo ele o menos sonhador. É o que mais sofre, porque até descobrir que tem uma doença e não somente uma “viagem” demora anos e dá-lhe destruição de sonhos pessoais e de todos ao seu redor.
Os diversos sonhos de amores perdidos; Shakespeare teria muito que escrever. Um Romeu e Julieta à cada esquina.
E o seu sonho perdido qual seria? Eu tenho alguns, mas não voltam mais, perderam-se nas estatísticas.
Mas pior ainda que ter os sonhos perdidos, porque se perdemos uns, outros nascem (temos essa capacidade de nos reconstruir). O pior é isolar-se da realidade, do mundo, viver à parte como um fantasma de si mesmo e perder a beleza do sonhar. O pior é não sonhar! Não sonhar é perder a vida.