"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Essa intensidade que me move


Hoje eu queria um pouco de ilusão que me satisfizesse,
Nem que fosse por algumas horas,
Só pra não dar crédito ao tempo.

Um tanto de certezas que não permanece
Um sorriso simples, sem esconder o que é triste.
Guardar um pedaço bom de memória, no cair na noite.

Esquecer que somo tantos ontens de mim
Ser somente um pouco do hoje
Dizem que viver o hoje é simples assim
Queria entender isso, enfim.

Me despir com as minhas vontades,
Sem me importar com o parecer da verdade.
Sorrir com os desencontros, do suposto certo.
Qualquer ilusão simples, para desmanchar o que dói. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vida


Contida
Nos versos
Vida
Entre
As linhas
Passado

Quereres
Sempre
Ao meu lado
Direito,
Por direito
Esquerdo
Por ser certo

Desejos
Sem contramão
Vida
Sem proibir

E a vida segue
Segue vida!

sábado, 2 de junho de 2012

Palavras em silêncio


De momento persigo umas palavras
Poucas.
Mas, muitas me falam

Quando se calarem
As deitarei aqui,
Na ponta da língua.

Assim
De algumas delas
O que quero
Apenas seu silêncio.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Liberdade


Ela atravessou os limites
Sem se preocupar com nada.
Dançou em corda banda
Sem olhar se no fim haveria estrada.

Ela se jogou nos braços na noite
'Toma-me, possua-me, sou tua"
E assim se fez e assim os fez.

Ela atropelou as desculpas
As condutas
Os comportamentos
Foi imensamente feliz
Nua, ao vento.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Espanto


Não, não nasci com o bem querer à vida,
Com o apego por ser vivente.
Nasci com a estranheza do horizonte,
Com o desconforto da pele apertada.
Nasci com a convicção de dominar 
as perguntas sem respostas.
De entender o espanto.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Porque sou despedida


Sou resto de espelhos
Colado com lágrimas
Vê- se em mim
Versões disformes
Multifacetadas.

Sou o inferno vivido
Na carne que um dia foi envenenada.
Erva daninha mal matada.

Sou água de cachoeira
Algo que se contempla
Mas não se adentra
O limo pode quebrar-te.

Sou esse aparato de discórdias
De causar medos
Por tanto segredos.

Aviso-te para boa sorte
Atravesse a rua
Siga outro rumo ao ver-me
Aconselho-te, procure outro norte.

domingo, 6 de maio de 2012

Poesia para libertar-me


Eu não preparo meu verso com zelo
Deixo-o gritar em desespero
Na ânsia de minha alma.

Falta doçura nesse canto
Ouvir a cantiga da vida
No momento que o acalanto.

Falta um calar carinhoso
Um colo previsto
Um sossego de sonhos.

Falta banhá-lo em água corrente
Pôr, a secar em varal ao vento
Abraçar-me a ele com carinho.

Usá-lo como a seda mais cara
-Na transparência necessária-
Vesti-lo como se fosse uma pétala
E...

Ouvir de minha alma
Que nunca emudece,
Perdoe-me!
Não sei fazer versos leves assim.

sábado, 5 de maio de 2012

Nós três

Há uma diferença de passos
De espaços
De desejos
Entre eu,
meu corpo
e minha sombra.

Saio à frente cometendo pecados
Todos eles.
O corpo vem logo atrás
Todo acabado
Pedindo à sombra
Que apague os vestígios
Nem me importo com os litígios

Siga em frente sorrindo
E lá vem o corpo criticando,
E a sombra se assombrando.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Vôo limitado

Sei que há em mim
Um pássaro que voa
Que desafia trovões
Riscos dos céus
Tempos de idas ou noites
Gaiolas e alçapões.

De visão distante, esse pássaro
Para os azuis de horizontes, tem muito apetite
Vôos de calor rasantes
E distâncias de muitos frios
Aventura-se sem medos
Em lugares escuros.
Destemido, pássaro meu. 

O meu lamento é que, 
O conheço por dentro.
Não vôo em suas asas.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Refém antigo


Refém antigo, velho conhecido das dores artificiais, dos artifícios carnais.
Dos venenos corrosivos ao sangue, nas veias, injetados.
Das dores por escolha escolhidas, que com o passar dos anos passam a ser suas, como se tivesse sido assim por toda sua vida.
Velho conhecido dos becos e esquinas, se esquivando da luz, sempre a meia cara, a meia noite a meia morte.
Velho sujeito, ser adjetivo, "insubstancial", vivo, substância corrosiva, nociva. E ainda vivo.
Perambulando entre sãos e dementes não sabendo em qual dos dois fica contente ou ausente.
Sem ser parte de algo efetivo, apenas vivo.
Absurdamente vivo, ínfimo, inflamado fugaz, intrigado com trincheiras de teias artificiais tão nocivas, tão letais.
Atrás de atrasos de horas, sempre atrasadas, vivente andarilho, sem presente.
Pescador não de sonhos, mas de ilusões, de efêmeros sentidos, nunca de verdade sentidos.
Vitima de suas escolhas, refém antigo, tão antigo que se perdeu no tempo, sem nenhum alento, vivendo assim, um passo a frente um atrás, e não é dança é atraso.
Com as dores se entende, é delas o tempo todo, já conhece todas as suas mesquinharias e divide com elas todas as suas agonias. Velhos amigos.
É objeto, é dilacerante em si mesmo, ser titubeante, indireto, indigesto
Já foi vida, agora e nada mais que vestígio de alguém que nunca tenha vivido, uma máscara, quem sabe um feto.