"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

terça-feira, 16 de março de 2010

Os Noturnos

Perambulam pelas noites, a madrugada e sua preferida, sua atenção, seus sentidos todos voltados aos mínimos detalhes do chão, procuram nele tesouros, ás vezes tem a impressão que acham; param, pegam, analisam, percebendo que não é jogam e continuam mais aflitos e mais atentos. Qualquer volume que encontram pela frente pode ser o pote e a esperança de estar dentro dele o que tanto necessitam, abrem, vasculham, pegam muito raramente algo que lhes parece ter valor, saem, ficam com a impressão que não olharam direito, voltam vasculham novamente certifica-se que nada mais há de valor, deixam tudo espalhado e prosseguem na infinita busca da pedra preciosa. Suas idades são todas possíveis. Mulheres, homens, aguçados inquietos; fazem o mesmo caminho diversas vezes. Todas as noites: há de existir algo que deixaram passar despercebido. A noite vai alta. O cansaço não existe. São caçadores sem medo, nunca desistem da constante procura noturna por mais uma pedra que lhes parece preciosa, mas não percebem que é a morte disfarçada com o nome de droga.

2 comentários:

SUBÚRBIO-SP disse...

MUITO BOM.
SEI BEM COMO É ISSO.
E SUAS PALAVRAS TRADUZEM A REALIDADE TRÁGICA DE UMA FORMA POÉTICA.
MUITA SENSIBILIDADE.

EDER RIBEIRO disse...

Muito legal essa abordagem do tema, Fátima, a busca desenfreada pela essa felicidade falsa que as drogas dão e a sentença mortal que muitas presenciam, ceifando vidas. Parabéns. Bjos.