"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Prece

Parto perdido
No que habito 
Hábito que me devolve
Em pedaços
De pequenas presenças
Palavras dormem 
Mais cedo
O silêncio e mais preciso
Preciso desse olhar
Interno. Ajoelhar
A prece está em todo canto
Deste partir preciso
Sem me negar ao alento
Do que me dá luz
Antes que a estrada apague
Me apego
A um sopro que me alimente.



segunda-feira, 11 de março de 2013

Meu corpo se escreve em sentimentos estendidos

O meu corpo está escrito na mulher que sou
O depois, já chegou.
Veio na solitude que um dia
Já me apresentava.
No silencio e embriaguez dos passos;
Nem sempre escolhidos a dedos.
Nem sempre preenchendo espaços. 

Estendidas ao longo de mim 

ficaram as mãos, em silenciosa procura
A ler meu corpo vestido
Na cumplicidade com o tempo
(Em seu silêncio ruidoso)
A escrever meu corpo despido,

Tempo dos sentimentos estendidos.

No meu corpo a nudez está escrita
Como um tecido que desnuda nas linhas, 

sua forma transparente.
A amanhecer o tempo de ser, simplesmente.
Ser, sem o medo dos voos debaixo da noite.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Direção

As costas doem
O corpo todo dói,
Pela investida teimosia
contrária ao tempo.

Não há direção 
no suposto certo.
Desde sempre rota inversa

Habituo-se ao desalinho.

Da primeira a última vértebra
Da sola aos fios de cabelo
Do que pulsa ao que pensa.

sábado, 2 de março de 2013

Espera


A flor bruta
Em fenda aberta
Os poros sem tato
Secura.
Espera...
Hora dessas chega,
Ou basta.
Dependerá
Se no querer,
Ainda haverá anseio.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Inusitado


Já que brinco com o inusitado,
E assim se chama um dos lados meus
Assim clama todo meu corpo,
quando de mim as palavras querem sair
e andar por terrenos seus...
O deus que agora tenho me olha com gratidão,
O tempo que agora me anda, descansa meus pés ao chão.
Chão que finalmente piso, aliso, deslizo, porque o importante e ir, às vezes vir e noutras ficar
Já que sou o subverso do meu inverso
Então verso, verso me, verso você.
Brinco de ser crente, brinco até de ser carente.
E mais sério brinco ainda, de correntes.
Me prendendo e me soltando em linhas...
S o l t i n h a s
Bem que  sinhá falou que de mim, algo vinha
E veio essa brincadeira de palavras, amarelinha.
Amar é linha.
Linha que choro e sorrio, grito e alivio.
Vida bem vivida, essa vida minha.
E ao final dessa linha, quando tudo parecer que foi dia desses,
E ver brancos meus fios, vou ainda escrever em rios, em riscos e rio, sou água, sorrio.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Viajante


Uma vertigem, um torpor, por estar só nesse barco, nessa infinitude de água, remando sem rumo, sem tempo determinado para encontrar porto, cais, caos, algo que o caiba.
Com os pensamentos distantes, os sentidos atentos, coisa que, só um viajante solitário consegue, percebendo detalhes que aos outros em terra passa despercebido. Ali em seu pequeno espaço, pode sim abraçar o mundo o espaço, mas o desconforto o acompanha e não é pelo tempo, ou o lugar de aportar, ou por estar a esmo, não.
O que o incomoda tanto assim, é esse navegar em espelho.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Da falta


Falta tanta história, tanta estrada...
O barulho das correntes. O peso do nada
A vontade que sobra, transborda.
No abraço não dado,
Mais um jogo, mais um dado.
O tempo se esgota
Anseio de data
Medo do pouco.. é tão pouco
Receio do céu da boca; vazio
Tanta mudança interna  
A incompreensão do tempo   
A falta de perdoar o Absoluto   
Amargo na boca
Ansiedade dilatada
Há tão pouco tempo
E, como falta história.
E, como falta estrada!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Pele

A superfície se mostra
Deita-se ao toque
Expõe seus poros.

Arrepios entregues ao contato da palma
Sente... sente...

Sentidos desprovidos, uníssonos.
O toque percorre-lhe a derme, epiderme
Entra-lhe entranhas,
Deliciam-se os gemidos
Sente...sente...

Verte em forma de gotas
os sussurros quentes...contidos na pele.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Essa intensidade que me move


Hoje eu queria um pouco de ilusão que me satisfizesse,
Nem que fosse por algumas horas,
Só pra não dar crédito ao tempo.

Um tanto de certezas que não permanece
Um sorriso simples, sem esconder o que é triste.
Guardar um pedaço bom de memória, no cair na noite.

Esquecer que somo tantos ontens de mim
Ser somente um pouco do hoje
Dizem que viver o hoje é simples assim
Queria entender isso, enfim.

Me despir com as minhas vontades,
Sem me importar com o parecer da verdade.
Sorrir com os desencontros, do suposto certo.
Qualquer ilusão simples, para desmanchar o que dói. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vida


Contida
Nos versos
Vida
Entre
As linhas
Passado

Quereres
Sempre
Ao meu lado
Direito,
Por direito
Esquerdo
Por ser certo

Desejos
Sem contramão
Vida
Sem proibir

E a vida segue
Segue vida!