"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O sofrimento da poesia

A poesia às vezes grita, grita muito, 
Vira bicho, quer morder, arrancar pedaços.
Quebrar todos os ossos, torcer a pele feito pano
Ferir, fazer sangrar. E sangrar.
Chorar até cansar
Sair feito louca nas ruas. Nua.
Falando sozinha...
Sobre os que dormem
Dos sonhos que nunca acordam
De pássaros que rastejam
Das pedras que olham
De certos incertos, enfim...
Quando a descobrir assim, disforme, distorcida,
Compreenda.
É a única forma que ela tem de encontrar quietude.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Meu verbo é sentir.

Sinto tudo que chega até meus caminhos, a razão me deu olhar necessário para filtrar o que fica. O que vale a pena ficar. Sei que, o que vivo nesse momento é repetido, não a história em si, os sentimentos despertados. É a outra face das horas, a outra cara da vida. É hora de me resgatar, o casulo há que ser quebrado. Sair da síndrome do pobre coitado.  Descarto sem ressentimento o que não me acrescenta. Abraço o que me faz moradia. Meus passos estão sim, mais lentos. Mas meu olhar está mais atento. Não me aventuro mais ao acaso, não quero tropeçar em descaso. Mas às vezes me distraio e caso, mas só por um mês, dois, talvez.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Prece

Parto perdido
No que habito 
Hábito que me devolve
Em pedaços
De pequenas presenças
Palavras dormem 
Mais cedo
O silêncio e mais preciso
Preciso desse olhar
Interno. Ajoelhar
A prece está em todo canto
Deste partir preciso
Sem me negar ao alento
Do que me dá luz
Antes que a estrada apague
Me apego
A um sopro que me alimente.



segunda-feira, 11 de março de 2013

Meu corpo se escreve em sentimentos estendidos

O meu corpo está escrito na mulher que sou
O depois, já chegou.
Veio na solitude que um dia
Já me apresentava.
No silencio e embriaguez dos passos;
Nem sempre escolhidos a dedos.
Nem sempre preenchendo espaços. 

Estendidas ao longo de mim 

ficaram as mãos, em silenciosa procura
A ler meu corpo vestido
Na cumplicidade com o tempo
(Em seu silêncio ruidoso)
A escrever meu corpo despido,

Tempo dos sentimentos estendidos.

No meu corpo a nudez está escrita
Como um tecido que desnuda nas linhas, 

sua forma transparente.
A amanhecer o tempo de ser, simplesmente.
Ser, sem o medo dos voos debaixo da noite.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Direção

As costas doem
O corpo todo dói,
Pela investida teimosia
contrária ao tempo.

Não há direção 
no suposto certo.
Desde sempre rota inversa

Habituo-se ao desalinho.

Da primeira a última vértebra
Da sola aos fios de cabelo
Do que pulsa ao que pensa.

sábado, 2 de março de 2013

Espera


A flor bruta
Em fenda aberta
Os poros sem tato
Secura.
Espera...
Hora dessas chega,
Ou basta.
Dependerá
Se no querer,
Ainda haverá anseio.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Inusitado


Já que brinco com o inusitado,
E assim se chama um dos lados meus
Assim clama todo meu corpo,
quando de mim as palavras querem sair
e andar por terrenos seus...
O deus que agora tenho me olha com gratidão,
O tempo que agora me anda, descansa meus pés ao chão.
Chão que finalmente piso, aliso, deslizo, porque o importante e ir, às vezes vir e noutras ficar
Já que sou o subverso do meu inverso
Então verso, verso me, verso você.
Brinco de ser crente, brinco até de ser carente.
E mais sério brinco ainda, de correntes.
Me prendendo e me soltando em linhas...
S o l t i n h a s
Bem que  sinhá falou que de mim, algo vinha
E veio essa brincadeira de palavras, amarelinha.
Amar é linha.
Linha que choro e sorrio, grito e alivio.
Vida bem vivida, essa vida minha.
E ao final dessa linha, quando tudo parecer que foi dia desses,
E ver brancos meus fios, vou ainda escrever em rios, em riscos e rio, sou água, sorrio.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Viajante


Uma vertigem, um torpor, por estar só nesse barco, nessa infinitude de água, remando sem rumo, sem tempo determinado para encontrar porto, cais, caos, algo que o caiba.
Com os pensamentos distantes, os sentidos atentos, coisa que, só um viajante solitário consegue, percebendo detalhes que aos outros em terra passa despercebido. Ali em seu pequeno espaço, pode sim abraçar o mundo o espaço, mas o desconforto o acompanha e não é pelo tempo, ou o lugar de aportar, ou por estar a esmo, não.
O que o incomoda tanto assim, é esse navegar em espelho.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Da falta


Falta tanta história, tanta estrada...
O barulho das correntes. O peso do nada
A vontade que sobra, transborda.
No abraço não dado,
Mais um jogo, mais um dado.
O tempo se esgota
Anseio de data
Medo do pouco.. é tão pouco
Receio do céu da boca; vazio
Tanta mudança interna  
A incompreensão do tempo   
A falta de perdoar o Absoluto   
Amargo na boca
Ansiedade dilatada
Há tão pouco tempo
E, como falta história.
E, como falta estrada!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Pele

A superfície se mostra
Deita-se ao toque
Expõe seus poros.

Arrepios entregues ao contato da palma
Sente... sente...

Sentidos desprovidos, uníssonos.
O toque percorre-lhe a derme, epiderme
Entra-lhe entranhas,
Deliciam-se os gemidos
Sente...sente...

Verte em forma de gotas
os sussurros quentes...contidos na pele.