"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sábado, 24 de setembro de 2011

Despir-se

Aprisiona a essência.
Em nome do efêmero do corpo
Do fulgás do mundo.

Veste-se com roupas que não lhe cabem,
Pés aprisionados, desconforto indesejado,
Escolhe uma mascara para mais esta farsa.

Ri como se houvesse graça,
Se esforça para sentir o porquê de estar ali
Vazio por dentro, mero passatempo.

E, dentro em silêncio.
Os gritos lhe falam ao ouvido
Está tudo errado
Sem sentido.

Nessa fração de segundo que sente do mundo.
Ouve o próprio coração e canto
Entende o porquê de tanto desencanto.

Caminha em direção ao ar
Precisa respirar.
Despe-se de tudo, joga máscara ao vento
Chama do âmago um sorriso
Livra-se de todo os artifícios.

Há ainda um incômodo febril.
Faz uma oração em silêncio
Aproxima-se do que há de céu dentro de si.

E percebe a alma esta vestida.
Desnuda-a. Desnuda-se.
Sente-se verdadeira
Sorri serena, enfim.

14 comentários:

Lua Nova disse...

"Faz uma oração em silêncio
Aproxima-se do que há de céu dentro de si".
Muito linda... linda!
Beijokas, Fátima.

Luna Sanchez disse...

Às vezes a própria pele não nos abriga porque inflamos, seja de dor, alegria, amor...

Um beijo, belo texto.

EDER RIBEIRO disse...

a prisão está em não sermos o que o nosso interior clama. Bjos.

Ana Martins disse...

Brilhante, Fátima, adorei!

Beijinho,
Ana Martins

Ingrid disse...

perfeito grito querida..
desnudar-se..
beijos linda..

Lufe disse...

Oi Fatima,

As vezes a gente se sente aprisionada por nos mesmos, as vezes por outros quereres e fazeres e nos esquecemos de ser nós mesmos.
Só assim, com o resgate da nossa essencia, somos felizes.
Precisamos de cuidar do habito de nos desnudar......

bjos

Andre Martin disse...

Assim como o sol brilha por trás das nuvens em dias nublados,
todos estamos pelados por baixo das roupas que vestimos.

Por que você faz poema? disse...

Minha alma
desconhece
roupas,
se se vestir
será apenas
de silêncios.

Carlos de Thalisson T. Vasconcelos disse...

Eu me recordei de quando falo sozinho na rua...

A.S. disse...

Fátima

A verdadeira serenidade está no desnudar da alma! Só assim nos veremos inteiramente livres de todos os excessos...


Beijos!
AL

J. Ríos disse...

Olá Fátima!Que espaço inspirador este que construíste...Me senti em casa, confesso!Agradeço a visita e comentário em meu blog e, saibas que és sempre muito bem vinda no Ps.: Recuérdame...Te espero mais vezes!Seguindo-te...

Abraços

psrecuerdame.blogspot.com

Carlos de Thalisson T. Vasconcelos disse...

Eu tive que ler algumas vezes este texto até sentir-me bem com o mesmo.

Andre Martin disse...

No dia 11/10, está agendado no blog http://famainfame.blogspot.com um ensaio (infame) mais sobre vestir-se do que despir-se.

SOL da Esteva disse...

Fátima

Despir-se de artifícios e vestir-se de verdades.
Reflexão vigorosa.

Beijo

SOL