"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vozes


Espalham-se aos cantos
Aos redores,
Em seus contornos.

Enfeitam-se de cores
Agudos, graves,
Alastram pelas paredes.

Despem-se de pudores,
Suplicam por quereres,
De juras em altares.

Humilham-se em favores
De joelhos em dores,
A luz que apaga.

Ouvem-se os rumores
Lamentos de torres.
Elos de correntes.

Imploram aos céus
Pedidos em louvores,
Silencie seus clamores.

domingo, 16 de maio de 2010

Olhar


Olhar que desnuda,
Insinua em silêncio.
Na reação nem pensa.
A teus braços esta propensa.

Olhar que esquenta.
Adrenalina acelera.
Desejo alimenta.
O torpor orienta.

Olhar que transgride.
Na boca saliva.
Pensamento delira.

Olhar que é teu.
Não pare de olhar,
Não acabe com o feitiço,
Que causa ao meu.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Poço da vida


Nova caminhada.
Nova estrada e sua lida.

Depois de páginas
E páginas (em branco),
Destruídas.

Foi necessário um barranco,
Para a subida.
O que eu via chegada.
Agora é partida.

Depois do fundo.
Não há mais saída.
A subida e mais fácil
Que a descida.
(mas apenas no poço da vida).

Ecos


Essa voz de fala atroz.
Ressoando na parede,
Como um algoz.

Ecos da alma soltos, talvez.
Do que fiz de mim,
E agora sou.

E com toda sordidez
a vida marcou,
mas o sonho, ainda restou.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sem Culpa


Não me culpe pelo que faço,
se não tenho o interesse
em criar laços,
de amarrá-los.
Gosto de soltá-los.
Não quero ser constante.
Prefiro ser visitante.