"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fecundação

Êxtase...
Na minha, na tua mente imprudente.

Meu olhar no teu olhar.
O que interessa e o ardente,
Sorrir, ficar contente.

Meu tato com o teu calor,
Pudor?
Despudoradamente.

Meu olfato com o teu odor,
Inconseqüente,
Latente e urgente.

Meu gosto com o teu sabor,
Semeia-se a semente.
Nova vida novamente.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Linha atemporal

Sustenta essa linha no espaço.
Em meu peito aberto.
Em infinito tempo
No teu abraço.

Sustenta essa linha no tempo.
No antes e pós ligados,
De diferentes horas
Em diferentes lados.

Sustenta essa linha no afeto.
Além do sentimento carnal,
Na calmaria da ilimitada calma,
Querer incondicional.

Sustenta essa linha na vida.
Em corpo de ser pulsante
Para voltar a ser
Um único ser mais adiante.

Sustenta essa linha na morte
Nesse sentir espiritual
Em nossa alma, nossa palma
Essa linha atemporal.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sonho de sombras

Seu refúgio era à sombra do vento.
Única forma de fugir dos lamentos.
Talvez a sombra de uma árvore...
Mas o tempo fixo não lhe cabe,
É tempo que não suporta
E hora demais em suas voltas.
O vento é amigo certo,
Cabe dentro de suas incertezas.

À vida alheio...olhar de distância,
Levado por sentimentos transitórios.
Acalenta-se a sombra que lhe cabe.
Refugia-se nos vazios constantes
Ao vento que lhe acolhe.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Medo

Alienado pelo medo
Juntando segredos
Fazendo deles grades
Prisões que o invadem.

Cérebro encarcerado.
Pena de morte.
Em vida condenado.

Sufocando em desespero,
Desafio de cego
O cego de venda proposital.
Criando no bem
Seu próprio mal.

Dominado pelo absurdo
Deixando-o
Cego, mudo, surdo.

Apavorado pelo trinco
A porta e seu inimigo.
Trancando em seu casulo
Fazendo do medo seu mundo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cabelo

Moldura teu rosto,
Desliza em seus ombros,
Acaricia suas costas nuas.

Suas madeixas
Chamam-me como medusa.
Preso por elas, me usa.

Estendem-se na cama
Como tapete,
Enfeite.

Brinca de cabana
Sobre meu rosto.
Acaricia-me,
Deleite.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cicatriz de anjo

Na leveza do espaço.
Perdida em teus laços.
Meu querer era teus braços...
...Asas leves, como somente um anjo pode ter.

A sensação de não andar
Sem medo de cair,
Na confiança de teu vôo me alçar...
...Passos suave, como somente um anjo pode pisar.

Levada nesse vôo
Sem perceber as doses de engano
Que aos poucos me dava...
...Enganos, como somente um anjo pode ludibriar.

Antes em nuvens morava.
Não há mais céu.
Somente penas pelo chão.
Das asas só as cicatrizes ficaram...
...Cicatrizes na alma, como somente um anjo pode deixar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Meu eu em mim

Em mim...sonho.
Em mim...oponho.

Às vezes parto inteira.
Ultrapasso horizontes
Sou pássaro livre
Atravessando pontes.
Sou anjo com asa.

Às vezes parto metade.
De frente à realidade
Sou pé no chão
Horizonte limitado.
Anjo sem asa.

No conflito do eu comigo.
Em incertos momentos
Torno-me meu inimigo,
Às vezes apiedo-me
E dou-me abrigo.

Entre o que sonho
E o que me oponho.
Às vezes sonho contido
Às vezes sonho comigo.

sábado, 31 de julho de 2010

Plena

Quero a vida real
Sem ilusões de máscaras
Sem filosofias vãs
Ser apenas natural

Quero a fé verdadeira
Crer por crer
Sem explicações à templos
Aquela que se encontra aqui dentro

Quero somente a verdade
Não importa intensidade
Não quero ilusões de viagens
Labirintos de vertigens

Quero chão que eu pise
Não quero meias propostas.
Não quero quase chegar lá
Quero lá estar

Quero vida tatuada
Não quero vida de giz
Não quero mentiras
Quero raiz

Não quero rir por rir
Quero motivo pra isso
Nem que seja necessário
Refazer o início.

Não quero muito ter
Só o que tenho direito
Quero apenas ser
O ser do meu peito

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Refém

Há um ladrão dentro de mim.
Que me assola,
Me espanta,
Me assusta.

Age por conta própria
Domina a ordem,
Faz da pulsação
A desordem.

Digo a ele não!
Não escuta,
Reluta.
Me assombra,
Me faz tremer.

Tendo a adrenalina
Como comparsa
Fico refém.
Não há o eu faça.

E mesmo sabendo
Que não é o certo,
Me convence
E me deixa perto
Tão perto,
Que não enxergo.

Sem se importar
Se vai me aprisionar.
Resiste.
E me deixa sem ar.

E rouba, cinicamente rouba!
Mesmo sob protesto meu.
O sabor do beijo teu.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sensibilidade

Dormiram dentro da minha alma
As dores e a calma.
Fiquei com a agonia
Cegando-me, não via.

Tateando no escuro.
No torpor de passos.
Não querendo acordar o espaço.
Que em mim residia.

A crença, amiga de horas frias
Em conversa com a alma minha
Em acordo chegaram e diziam...
Que finde a letargia.

Num gesto de clemência.
Os olhos foram abertos.
O tempo pegou as dores.
E a calma fez o dia.

Na claridade que agora se fazia,
Dentro do espaço que não mais dormia.
A calma falava em linhas.
As dores em entrelinhas.

Dando novo sentido aos sentimentos,
No encaixe perfeito que o tempo fazia.
Ao entender a prece, aceitei o que dizia...
Liberte-se em poesia!