"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

terça-feira, 6 de março de 2012

Folhas

Eu sou árvore
Eu não tenho asas
Eu não vôo
Voam minhas folhas
Que se desprendem
Me desnudam
Assim ao sabor do vento
Eu não viajo
Eu habito
Eu protejo
Alimento e observo
À minha sombra
O mundo se passa.

Mas não sou anjo
Não tenho asas
Sou folhas
Do sol ao orvalho
No repouso com a lua
Na viajem das águas
A minha distância é longa
Percorro o chão
Em muitas direções
Decerto são minhas linhas
Longas distâncias
Percorro silenciosa assim
Busco água
Mato sede
Dou sombra
Permito uma rede
Uma visão de um horizonte
Sem fim.

Mas não vôo
Não tenho asas
Sou árvore
tenho folhas
E bem verdade
Elas voam
E nelas...
Nelas somente escrevo
E vão assim
Voando com minhas palavras.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Assim rimando recomeços

E de tanto ouvir os cantos
Entendi seus cantos
Não renovei os prantos
Me prendi em encantos
E foram tantos
Que assim levanto
Um tanto mais santo
E os cantos...
Eu os ouço
E recanto.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

É sede!!

É sede que seca
     Não sacia
  É sede de adicto
       Constrange
    É sede de noites e dias
         Contagia
      É sede de sexo
           Chama
        É sede do mundo
             Abrange
          É sede de poros
               Arrepia
            É sede de lágrimas
                Deságua
É sede de alma
     Acalma
  É sede de medo
       Tremor
    É sede de nada
         Silêncio
      É sede de vida
            Infinito
         É sede de mais
              Demais
           É sede de além
                Amém.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A urgência das palavras

Não sei ser palavra na tristeza.
Recolho todas as letras
Guardo em embrulhos de presentes
Todas aqui dentro.
De sentir é o momento.

Mas...
Assim sem avisar
O vento sopra minhas asas
Dá um desses desassossegos
De despertar os sentidos.

Da inquietação ao sorriso
Desembrulho os presentes
Sem a pretensão de ser preciso
E hora de ser distância.
Voar em histórias desconhecidas.

E quando vem assim, nessa urgência 
Elas se jogam, pulam, brincam,
Saltam nas linhas em grande festa.

Com sorriso escrito, volto a ser palavra
Será que é isso que chamam poesia?
Ou será isso somente o delírio do poeta?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Do encontro

Nesse mundo vasto....
Em raras vezes me acho
Na maioria me deixo.

Enquanto me procuro
Me perco de mim,
O tempo todo,
Em todos os tempos.

Não me encontro.
Penso, vasculho,
Rezo, prometo não me perder
Se acaso me achar, prometo.

Reviro gavetas, papeis,
Rabiscos de caneta
Me reviro ao avesso, nada!

Ando em todas as estradas
Olho em todas as direções, nada
Nenhum sinal de mim.

Canso e penso...
Acho que não me encontro, pela vastidão do meu mundo e terreno demais para percorrer, em apenas uma vida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Linha atemporal

Sustenta essa linha no espaço.
Em meu peito aberto.
No espaço do tempo
Em teu abraço.

Sustenta essa linha no tempo.
No antes e pós ligados,
De diferentes horas
Em diferentes lados.

Sustenta essa linha no afeto.
Além do sentimento carnal,
Na calmaria da ilimitada calma,
Querer incondicional.

Sustenta essa linha na vida.
Em corpo de ser pulsante
Para voltar a ser
Um único ser mais adiante.

Sustenta essa linha na morte
Nesse sentir espiritual
Em nossa alma, nossa palma
Essa linha atemporal.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Simbiose

Tu vinhas e me provias
Em provas tuas
Fazia-me, minha.

Tu tinhas e me continhas
E contenho em ti tudo
O que é ser,
Encorajava-me a ser minha.

Tu fazias de mim
O ser meu
Por sentir o gosto
Do que é teu.

Tu sorrias e sóis se abriam
A sós não eram nunca noites e dias
E por mais uma vez
Fazia em mim
O lençol que de ti me cobrias

Provaste, deste, fizeste
De tantas e todas as formas,
Sentir a essência tua,
Que nasceu, de nós, a minha.

E mesmo sem ti
Jamais serei sozinha.
Dividistes o mesmo passo
Em mim, caminhas. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Só por hoje

Hoje acordei assim...
Espaço!
Onde cabe tudo, inclusive abraços.
Acordei sol brilhando,
Sorriso conversando.

Sem me perder em pedaços a cada esquina
Como roupa de um número acima,
Porque emagreço com a amargura.
Mas deixe-a de lado.
Hoje acordei cantos cantados,
Presente e não passado.

Isso! Acordei no hoje
Não sou ontem
Não vejo amanha
Hoje sou somente hoje.

Sou essa conversa, essa travessa
Travessia, essa linha.
De apenas mais um dia,
Leve, brilhante
Aconchegante.

Hoje eu sou esse dia 
De desembaraçar de laços.
Só por hoje
Me complete com seu abraço.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Mentira

Mente tudo
Mente a mente
Mente a boca entre dentes
Mente o sentimento,
Mente o sorriso
Sem aviso
Mente o corpo
Mentiroso maior
Mente a dor
O orgasmo, ah como mente
Mente, fingindo de prazer
Mente o drama e trama
Mente. Fingindo dormente

Mas alma não mente
Sente, mas não mente
Pode não dizer
Apenas sente
Mas não mente
Não mente os arrepios da pele
Não mente a oração
Não mente os vãos
Não mente os poros da alma
Os olhos não mentem
E esses são dela
Alma não mente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O segredo da noite

O segredo da noite
Corria de forma silenciosa pelas veias
Num grito só, oco e ensurdecedor
Jogando contra a parede
Qualquer defesa
Toda lógica ou razão.

O segredo da noite
corria pela respiração
olhos e pulmão
num sorriso insano
de veneno profano.

O segredo da noite
Doía em volta do umbigo
Trancado entre paredes
Sem colo ou abrigo.

O segredo da noite
Acordou do pesadelo
Ficou na retina
Dorme no meu travesseiro.