"Eu não escrevo poesia, não escrevo poema. Eu só desnudo minha alma." Fátima Amaral

sábado, 24 de setembro de 2011

Despir-se

Aprisiona a essência.
Em nome do efêmero do corpo
Do fulgás do mundo.

Veste-se com roupas que não lhe cabem,
Pés aprisionados, desconforto indesejado,
Escolhe uma mascara para mais esta farsa.

Ri como se houvesse graça,
Se esforça para sentir o porquê de estar ali
Vazio por dentro, mero passatempo.

E, dentro em silêncio.
Os gritos lhe falam ao ouvido
Está tudo errado
Sem sentido.

Nessa fração de segundo que sente do mundo.
Ouve o próprio coração e canto
Entende o porquê de tanto desencanto.

Caminha em direção ao ar
Precisa respirar.
Despe-se de tudo, joga máscara ao vento
Chama do âmago um sorriso
Livra-se de todo os artifícios.

Há ainda um incômodo febril.
Faz uma oração em silêncio
Aproxima-se do que há de céu dentro de si.

E percebe a alma esta vestida.
Desnuda-a. Desnuda-se.
Sente-se verdadeira
Sorri serena, enfim.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Estreitos

Havia um veio de rio
Entre aquelas colunas.
Havia uma fina veia
Entre as lacunas.

Havia noites eternas
Sem dias.
Dias que eram noites
Constantes.

Pensamentos vagos
De meras vogais e consoantes.

Havia um espaço
Menor que o desejado,
Fazendo com que sentisse
Pés e mãos calejados.

Apertar-se entre os apertos
Era preciso.
Nesse fluxo resumido
Sem noção e sem sentido.

E não havia outro jeito, senão,
esperar esses estreitos
Bombearem sangue no peito.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Única(s)

Apesar de
meu olhar introspectivo
com o mundo.
Sou tantas.

E nesse ser, de tantas,
Preciso me espalhar
De forma bela, torta,
certa, errada,
de mentira, de verdade
Não importa.

Apenas sentir-me; vale.
E são nelas
Nas palavras
Que me jogo

Ben vindas
Tantas vezes ditas.
Dito os mesmos
sentimentos meus.
E sempre tão diferentes.

Assim como os arrepios,
Que a cada vez me parecem
únicos.

Transparecer-me.
Para ser!
Sim.
Senão alguma de mim
Me mata.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Silêncio ruidoso

Não venha me dizer
Para dividir vida contigo,
Minha solidão me basta
Já me ocupa muito espaço.

Não te quero preso...
Dentro da minha liberdade
Dentro da minha idade
Do meu silêncio.

Desse meu silêncio
Que é mais ruidoso
Que minhas palavras.

Não o divido
Ocupo tempo demais...
Comigo.

domingo, 4 de setembro de 2011

Na Janela

Se penso que observo, me engano,
Vejo o tempo atento me olhando,
A vida me observando,
A luz e a escuridão cada uma em sua vez,
Vendo minhas marcas,
Uma observa outra oculta.
A poluição me vê cegando.
Me olham, somente mais uma.
Em lentidão oposta as suas velocidades.
E o tempo diz
Vai ficar ai quanto de mim, mais uma década?
E eu ignoro o tempo.
E a vida pergunta, sou assim para você?
Acho-te sem graça.
E não há movimento meu, nessa silhueta.
Eu não posso olhar os que me olham
Estou muito ocupada me observando por dentro,
Perdendo fora de mim vida e tempo.


                                 ***
Saudades de todos!!! 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal - Feliz Ano Novo

                              

Natal:


sentimento que,
enchendo o abismo do universo,
cabe com seu esplendor,
No olhar de uma criança,
no cálice de uma flor,
Esse Jesus imortal, único, bom e clemente,
de quem sou o mais humilde crente.


Mártir que fez com seu olhar sublime,
o luar do perdão para a noite do crime,
abriu com a luz da bem-aventurança,


Jesus...


Deus menino homem que está,
Como um farol da glória,
No cume da montanha escavada da história,
contemplando o infinito,
iluminando a terra.


Essa luz que a flor da alma humana encerra,
É de quem sofre,
é de quem geme,
é de quem chora,
É de todos que vão pela existência afora,
Tristes (santo, herói, escravo ou proscrito),
os pés calcando o lodo...
os olhos voltados para o infinito.


O Natal está nos olhos das crianças,
em suas mãozinhas delicadas,
que revelam sempre novas surpresas.
O Natal está em suas faces alegres e
em tudo o que dizem.


(Autor Desconhecido)




Desejo à todos vocês dividiram comigo essas linhas, minhas palavras um Natal cheio de luz e paz!!
E um Ano Novo repleto de saúde e realizações.


     Feliz Natal!!!        Feliz Ano Novo!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tempo de ser

Haverá alguém de ser, haverá alguém estar.
Para que outros sejam, para que outros fiquem.

Haverá alguém que crê, haverá alguém que viva.
Para eu outros creiam, para que outros vivam.

Haverá alguém no tempo, exato tempo de ser.
Sendo em todo tempo somente o Ser.

Há de deixar o tempo, às vezes ser somente.
Mas não há de esquecer do Ser.
Para não esquecer que és unicamente semente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Reticências...

Em minhas reticências
Lugares de reentrâncias
De infinitos pontos
Desses de se perder.

Entremeios que te prende
Ao tentar me achar
Abstrata como o ar.
Ar que precisas
Mas não pode tocar.

Essa porção minha
Que não vês,
A que mais sinto,
Que mais diz
De meu ser.

Estou justamente
Nas reticências
Que não lê.

domingo, 21 de novembro de 2010

Os sentidos e a verdade

De luz tão intensa
(A olhos nus não vista),
Vista-os de roupa fina
Para não ferir a retina.

De adjetivos únicos
Dito por única voz.
Emudeça, cale
Outra palavra não cabe.

De intrigante sabor
Ao paladar de poucos aceito,
Difícil sorver os goles
Do que arde no peito.

De arrepiar a pele
Pelo excesso de calor,
Retenha os movimentos
Dessa aparente dor.

De inebriante aroma
A opção é respirar
Mesmo querendo fugir
Do incômodo ar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Deixe tudo assim

Deixe tudo assim
Da forma que encontrou.
Só leve contigo
As marcas das unhas na pele,
O gosto na boca,
O suor nas têmporas,
Da vida que se foi.

Deixe tudo assim
Para trás,
Só leve as lembranças
De noites quentes
E agora ausentes.
Do calor na pele
Leve o frio
A angústia do cio.

Deixe tudo assim,
Nessa aparente calma.